Terça-feira, Maio 27, 2008

Afinal o sonho continua... agora com a AYRES ADVENTURES











Sábado, Setembro 01, 2007

O SONHO ACABOU...ÚLTIMAS ETAPAS!!

Em Cascais, finalmente o tão esperado momento de reencontro com a nossa "filha" de quatro patas, a Muri. O amanhecer em Lisboa.

Acabou mesmo!!! Agora de volta à realidade...reparem como, mesmo desempregados e sem um tostão no banco, ainda conseguiamos sorrir!! Um momento "Floribela": pobres em dinheiro mas ricos em sonhos... ou coisa parecida.
Momentos de despedida... reparem no cuidado que tive a embalar as malas da mota que foram no porão... mesmo assim infelizmente chegaram a Lisboa muito mal tratadas pelos animais que trabalham no "handling" dos aeroportos.

Pesagem da poderosa, 260 kgs

A não destoar com as instalações, os equipamentos de escritório utilizados eram também de última geração...

Estas são as luxuosas e prestigiantes instalações da TAP CARGO no aeroporto de Fortaleza. Um contentor de grande categoria que até tinha ar condicionado.
Transporte do "pacote" para o terminal de carga do Aeroporto

Trabalho concluído... parecia uma mota embalada na fábrica da HONDA em Manaus


Pausa para almoçarada com o staff da CEARÁ MOTOS.


No transporte aéreo de uma mota, as normas de segurança da aviação comercial obrigam a retirar todos os fluídos potencialmente combustiveis (óleo de motor e gasolina), bem como desconectar a bateria e retirar toda a pressão dos pneus.

Apenas foi necessário retirar a roda da frente e o vidro... coube à medida.


Caixa de transporte de uma HORNET 600, aproveitada para colocar a poderosa. Perfeito!!!


Chegada à CEARÁ MOTOS, o fantástico concessionário HONDA em Fortaleza que nos ajudou a "empacotar" a poderosa de volta para a Europa. Os nossos sinceros agradecimentos pela generosidade e atenção!!


FORTALEZA...




Depois de muitos meses com o "pé" na estrada e total abstracção do mundo real, este Pôr do Sol representou o nosso último dia de verdadeira "liberdade".

O miudo que caminhava sobre a água!! Incrível!!!


O "JEGUE", típico das praia nordestinas


Praia de PARACURU

Estado do METZELER KAROO à chegada depois de ter feito apenas 4.500kms!!! O pneu anterior, CONTINENTAL TKC80, durou 14.000. Fácil perceber qual a marca que recomendo...

Finalmente o encontro com o "Coroné" na sua fazena em PARACURU!!! Últimos 12 kms de viagem, chegada a PARACURU, onde o meu Pai nos esperava. Só aqui nos apercebemos realmente de que a viagem estava no seu final... momento de forte sentimento de nostalgia mas simultâneamente de alegria pela concretização desta grande aventura em segurança.

Furo no último dia de viagem, na vila de Piripiri

Cidade de Belém do Pará vista do rio Amazonas

Domingo, Maio 13, 2007

-- ODISSEIA FLUVIAL NO RIO AMAZONAS SAINDO DO PERU, PASSANDO PELA COLÔMBIA E ENTRANDO NO BRASIL --

Os 4 dias em estivemos em Lima foram foram suficientes para conhecer alguma coisa da cidade e também para reencontrar amigos. Reencontrei uma amiga Peruana, chamada Virgínia, que viveu em Cascais durante 18 anos e que regressou ao Perú para viver uns tempos. Na segunda noite em Lima fomos fazer uma expedição nocturna para conhecer os cantos e os hábitos do jet set. Musica boa, gente bonita, boa cerveja e boa comida... Noo que se pode pedir mais!?!No último dia, a nossa amiga Virgínia levou-nos até Lapa Lapa, 30 minutos a sul de Lima, onde os seus pais têm uma fabulosa casa show, numa praia privada a 50 mts do mar. Maravilha, e ainda deu tempo para fazer um valente churrasco e apreciar a cenário! Parecia que estava a fazer férias das férias. Fica registado hoje também o dia em que pela primeira fez comemos ¨Ceviche¨ misto de peixe e polvo. Este é um prato típico do Perú e consiste num prato de pescado cru que apenas é cozinhado num molho de limão delicioso e meio picante a que lhe chamam ¨leche de tigre¨. Muito bom! Na mesma noite em que regressámos a Lima a Tatiana reencontrou também uma amiga de Porto Alegre e o seu marido Flávio que vivem e trabalham ambos em Lima à 18 anos.

Chegou segunda feira e era dia de partida. Hora para mais uma etapa da nossa viagem. A partida de Lima deu-se pela manhã e foi rodeada de um certo sentimentalismo e saudade. Após 51 dias juntos na estrada inevitávelmente separamos-nos do nosso amigo alemão Christopher. O seu destino é para Norte até ao Equador, pela rota junto à costa e o nosso é para Nordeste até à selva em Pucalpa, atravessando pela última vez a cordinheira dos Andes que fez parte do nosso itenerário desde Ushuaia, no Sul da Argentina. E que travessia!!! Pois nesse mesmo dia percorremos uns 250 kms e saímos do nível do mar para dormir num pequeno povoado no altiplano peruano chamado Junin, a 4200 mts de altitude. Assim que parámos a mota ao final do dia na ¨Plaza de Armas¨ em Junin, os sintomas da rápida subida de altitude e da consequente falta de oxigénio não se fizeram tardar. A primeira vítima fui eu... com enormes dores de cabeça, tonturas e uma enorme falta de ar, deitei-me no passeio junto à mota enquanto a Tati procurava um Hostal com parqueamento para a ¨poderosa¨. Estava na cama pelas 6 da tarde!!A Tati parecia estar bem, até saiu do hostal para jantar. O horror começou quando voltou da rua e deitou a cabeça na almofada. Rezumidamente passou toda a noite a vomitar a seco. Coitada deve ter sofrido... parecia que estava a ser exorcisada. Não dormimos nada!

Depois desta indisposição de altitude, o dia seguinte de viagem era muito esperado e muito bem vindo, pois iríamos atravessar todo o altiplano a 3800 mts de altitude para finalmente começar a descer a cordilheira para altitudes mais toleráveis. Gráças a Deus! Em apenas 340 kms percorridos a paisagem a vegetação muda radicalmente. Entrámos na região da selva Peruana. O dia terminou numa cidade chamada Tingo Maria onde ficámos num Hotel porreiro com piscina... ahhhh que relax!

O terceiro e último dia de viagem para chegar até Pucalapa foi o pior de todos. Segundo algumas informações que tinhamos a estrada não era totalmente pavimentada e com alguns trechos em mau estado. Mau estado era pouco!!! O primeiro trecho de terra que apanhámos foi sem dúvida o pior que apanhámos em toda a viagem. Estava horrorizado e pensei como é possível uma estrada desta sequer constar no mapa como sendo asfalto.

Chegados a Pucalpa, no pico da hora de ponta, a confusão no trânsito era total. Nesta cidade 90 % dos veículos que existem na estrada são motas e mototaxis de 3 rodas. Aqui quem tem carro ou é rico ou é parvo... Para nossa surpresa passado 1 hora da nossa chegada já tinhamos a mota embarcada a bordo do navio ¨Don Segundo¨ que leva carga, pessoas e animais até Iquitos ainda no Perú. Com um atraso de 28 horas partimos para a travessia fluvial que duraria 3 dias e 3 noites. Apesar de ser uma embarcação grande os luxos não são muitos. Antes pelo contrário. O nosso camarote para dormir tinha umas baratinhas a patinhar as nossas camas... Mas tudo bem... há coisas piores! Para além de estarmos a navegar um rio já dentro da selva Amazónica, o que nos marcou nesta travessia foi a falta de respeito com que os Peruanos tratam a natureza e os animais que iam a bordo. Dentro do barco não existem caixotes do lixo. Todo o lixo que 225 pessoas produzem durante 3 dias vão borda fora, sem qualquer tipo de hesitação ou preocupação por poluir a natureza. Também nos impressionou a forma como a tripulação tratava e manejava os suínos que seguiam junto com o resto da carga. Atados com uma corda a uma das patas traseiras eram arrastados de um lado para o outro de uma forma brutal e desumana. Claro está que os animais chegaram ao seu destino exaustos e alguns com as patas partidas. Um cenário de horror em que os guinchos de dor dos animais se ouviam até durante a noite sem ninguém lhes tocar.Chegados a Iquitos tinhamos 24 horas para queimar até á partida do próximo barco para Tabatinga, já no Brasil. Visitamos um serpentário onde pegámos e tocamos em anacondas, bicho perguiça, macacos e papagaios. Super interessante e divertido. No dia seguinte partimos então para Tabatinga numa viagem um pouco mais curta de 1 dia e 2 noites, descendo já em pleno rio Amazonas. O barco era muito semelhante ao anterior mas apenas com melhores alojamentos e sem animais a sofrer para entretenimento humano. Para nossa surpresa chegámos 1 hora antes do previsto a Santa Rosa, última povoação com posto aduaneiro antes de sair do Perú. Este lugar é muito interessante e único, pois atravessando o rio e no raio de 150 metros podemos estar no Perú, Colômbia ou Brasil. Depois de tratar dos papeis em Santa Rosa para a saída da mota do Perú, atravessámos com a mota de canoa até Leticia na Colômbia!!!! Não estava nos nossos planos pisar solo Colômbiano e só aconteceu porque a margem aqui era melhor para descarregar a mota da frágil canoa. Estivemos na Colômbia cerca de 15 minutos e fizemos uns 4 a 5 kms até á fronteira com o Brasil em Tabatinga. Brasil!!! Finalmente voltamos a falar a nossa lingua... Aleluia! A sensação de entrar no Brasil foi fabulosa. Foi um pouco como chegar a casa. E a diferença é brutal. A simpatia e alegria das pessoas, ar condicionado, comida boa, etc... Pena é não ser barato como a Bolivia! A importação temporária da mota foi efectuada com alguma demora. Dá ideia que os Países mais desenvolvidos são também mais exigentes e mais burocráticos. Por sorte, mais uma vez, tinhamos barco para Manaus dentro de poucas horas. Embarcamos novamente a mota mas agora num barco brasileiro que mais parecia um pequeno paquete de luxo. Camarote com ar condicionado e comida caseira à descriçao!! Além do forró e pagode que se fazia ouvir a viagem até Manaus, onde estamos neste momento, foi tranquila com o rio e selva Amazónica como cenário de fundo. É bonito e único no mundo mas ao fim de uma semana do mesmo torna-se um pouco monótono. Ontem de noite fomos assistir à Ópera ¨Lady Macbeth¨ no famoso teatro Amazonas construido pelos Portugueses. De Manaus ainda temos mais uma viagem de barco de 4 noites em direcção a Belém do Pará na costa Atlântica, onde desagua e termina o rio Amazonas. Neste ponto teremos percorrido toda a extensão do rio desce onde nasce até onde morre. Amanhã embarcamos no navio ¨Santarém¨ e devemos chegar no Domingo.

Vista da chegada a Manaus. Por incrível que pareça perdemos o espectáculo de ver a confluência das águas dos rios Negro e Amazonas porque estavamos no porão a colocar as malas na mota!!! Fo*#$& se!!

Patriotismo e saudade de casa faz destas coisas...
Breves momentos em solo Colômbiano. Não deu tempo para sermos raptados.
Espero que isto não vire...
Travessia da ¨Poderosa¨ em balsa de Santa Rosa no Perú até Letícia na Colômbia.



Fronteira de 3 países separadas pelo Rio Amazonas. Num raio de 150 metros podemos estar na Colômbia no Peru ou no Brasil.

Para todo o Continente Sul Americano, a palavra Portugal só existe no seu vocabulário pelo futebol que temos. Cristiano Ronaldo é mais conhecido que o Che Guevara!!!

A perícia de navegação do capitão

Barco de Iquitos para Santa Rosa com técnologia de ponta
A Veneza Peruana em Iquitos.

Sorriso ¨Colgate¨!!
Macaco Aranha. Qual deles??
A bicharada!! Só estava com medo que me arrancassem uma orelha...

Anaconda de 5 metros e meio pesando ¨só¨45 quilos. Não imaginam a força que este animal tem.

Este macaquinho bébé foi o nosso preferido. Agarrou-se á Tatiana como se fosse a sua Mãe.


A Tatiana com o bicho perguiça ao colo. Reparem como o ¨penteado¨ do perguiça é parecido com o dos Indígenas Amazónicos. Incrível!!


O pessoal que atira lixo pela borda fora!!

Palavras para quê!?!?!?

Ração de combate da travessia fluvial

Curtindo a paisagem da Amazónia
Esta advertência é ilustrativa da falta de educação e civismo do povo Peruano.

Sem comentários!

¨Don Segundo¨ a embarcação que nos levou de Pucalpa para Iquitos

Controlo policial !! Com este ninguém se mete...

Acidente na estrada...
Após 51 dias juntos em viagem, momento de despedida do nosso amigo Alemão Christopher.
Vista da casa de praia em Lapa Lapa, sul de Lima. A amiga Peruana, Virginia.

Domingo, Abril 29, 2007

DE CUSCO PARA LIMA PASSANDO POR NAZCA E PARACAS

Plaza de Armas, Lima.
Costa do Pacifico vista da zona de Miraflores
A bebida Peruana... um horror!!


Novo modelo KTM... pena este modelo nao se comercializar na Europa! Que sucesso seria.

O nosso Hostal para os próximos dias. Um luxo, e as motas estao bem guardadas!
A caminho de Lima
Morcego cruzado com labrador de raca pura para oferecer...
Chegada a Paracas, Costa do Pacifico
A Tati muda de visual... no barbeiro!!


Ritual Pachamama com o nosso amigo "Inca"



Demonstracao de novo produto revolucionário para branquear os dentes.


Uma das famosas "Linhas de Nazca"
Quem, tal como nós nao tem dinheiro para ver as linhas de um aviao, sobe a torre para apreciar a vista

Moto Expedicao "Rota Che Guevara" deixa a sua marca no famoso bar "Nortons Rats Tavern" em Cuzco
A gaja nao era muito gira mas era BOOOOA!!!


A geometria e o encaixe destas pedras umas nas outras sao incriveis, nao cabe a ponta de um cabelo!!
Incrivel pedra de 12 cantos, uma das principais atraccoes da Cidade de Cuzco.

Quarta-feira, Abril 18, 2007

-- VISITA A MACHU PICCHU, UMA ODISSEIA DE 5 DIAS --

Dia 5: Santa Teresa - Cuzco

Chuva, muita chuva!!!
Após 20 minutos na estrada a mota do Chris deixou de trabalhar?!?!?! Bomba de gasolina foi à vida... Bosta! Logo aqui no meio do nada! Da experiencia tida previamente com a minha bomba de gasolina, que também pifou mas em Portugal, rápidamente resolvi o problema desligando a bomba e fazendo uma ligacao directa ao deposito de gasolina. O problema é que sem a bomba a funcionar a gasolina só entra nos carburadores por gravidade. O que significa que o nivel de gasolina dentro do depósito tem de estar obrigatóriamente sempre acima do nivel dos carburadores. Tivemos assim que encher todos os depositos extra com gasolina "artesanal" para nao correr o risco de ficar a meio caminho. Acabou por resultar bem e chegámos a Cuzco ao final do dia.

Dia 4: Águas Calientes - Hidro Electrica - Santa Teresa

Perdemos o comboio das 07h23 da manha!!! E o proximo era só depois do almoco... Fazer o que? Solucao: dar corda aos sapatos e seguir caminho a pé! Foram 2h30 e 9 kms de caminhada até à Hidro electrica. Chegando à hidro ainda tivemos que caminhar até ao ponto onde tinha havido o enorme deslizamento de terras e esperar se, com alguma sorte, havia algum transporte colectivo que nos levasse até Santa Maria onde tinhamos as nossas motas. Chegámos ao local e de facto tinha havido um enorme deslizamento de terras. Pedras do tamanho de carros que ocuparam uma grande parte da estrada até ao rio. Com algum receio de novo deslize passamos por cima de toda aquela pedra para deparar que do outro lado nao havia nenhum transporte colectivo à espera de passageiros. Solucao: mais uma caminhada de 3 horas até Santa Maria. No total do dia foram cerca de 18 kms caminhados. Chegados a Santa Maria ainda tivemos forcas para pegar nas motas e seguir para Santa Teresa.







Dia 3: Visita a Macchu Picchu
04h45 da manha e já estavamos de pé para tomar o pequeno almoco. O objectivo de acordar a estas horas foi para apanhar o primeiro minibus que sobe para Machu Picchu, 05h30 da matina para lá chegar ás 06h00. E valeu a pena!! Tivemos sorte com o tempo e o dia acordou sem uma única nuvem no céu. Ver o sol nascer em Machu Picchu é uma experiencia que nao se esquece!!!! Que loucura!!! Após termos ficados sentados 30 minutos no alto à espera de ver os primeiros raios de sol bater nas ruinas da cidade, seguimos em exploracao do local. Machu Picchu é um local difícil de descrever porque nao se pode comparar com nada de semalhante. É apenas espantoso!! Foram 8 horas de caminhada e exploracao dentro de Machu Picchu. Ao fim do dia voltamos para a cidade de Águas Calientes onde iriamos apanhar o comboio das 21h30 de volta para a hidro electrica. Depois de 30 minutos dentro do comboio e ao chegar ao nosso destino a policia entrou dentro do comboio para informar todos os passageiros que se dirigiam para Santa Teresa de carro de que tinha havido um grande deslizamento de terras impedindo assim a passagem dos transportes para este povoado. Ficámos sem saber o que fazer. Ou tentávamos chegar a pé até ao local onde a estrada estava bloqueada para ver o que se passava ou voltavamos de novo para Águas Calientes. A decisao mais sensata foi voltar e na manha seguinte apanhar o primeira comboio para baixo, marcado para as 07h23 da manha.








Dia 2: Santa Maria - Santa Teresa (de mota) Santa Teresa - Águas Calientes
Na manha seguinte em vez de 3 motas eram 7 em direccao a Machu Picchu. O caminho alternativo era de facto um caminho alternativo pouco usado, muito estreito e dificil em algumas passagens. Mas foi divertido e ainda deu para tirar umas fotos valentes. Chegados a Santa Teresa tratámos de almocar e de arranjar lugar para deixar as motas durante a nossa subida a Machu Picchu. Pois Santa Teresa era a ultima povoacao onde poderiamos deixar as motas guardadas com alguma seguranca. O maluco do Guido decidiu seguir caminho até à estacao de comboio da central hidro electrica e ver até onde podia levar a mota. Nós depois do almoco apanhamos um transporte colectivo que nos deixou na estacao para apanhar o comboio para Águas Calientes, ponto de partida para a visita a Machu Picchu. Ao chegar à hidro electrica deparamos com a KTM do Guido encostada e amarrada a uma árvore. O maluco decidiu nao subir de mota pela linha do comboio, gracas a Deus!!
Apanhamos o comboio que custa 5 soles para locais e 25 soles para turistas (um roubo!!). A meio do caminho empoleirado na janela para melhor apreciar o passeio vejo o Guido a caminhar junto à linha do comboio. Nao quis pagar os 25 soles e decidiu seguir a pé. Chegados a Águas Calientes procurámos um hostal e fomos jantar cedo porque no dia seguinte iriamos ter uma alvorada muito cedo!!














Dia 1: Cuzco a Santa Maria - 200 kms
A ideia inicial da nossa ida a Machu Picchu de mota foi para poupar dinheiro. O turista normal que nao tem transporte próprio e que quer visitar a "Cidade perdida dos Incas" nao tem outra opcao se nao pagar cerca de $ 130 pelo tour organizado. Uma fortuna!! Feitas as contas para nós seria metade do nosso budget mensal só nesta visita. Nem pensar! Vamos tentar fazer isto mais barato, levando as motas até ao ponto mais próximo de Machu Picchu possivel. O maluco do Guido queria fazer o percurso pela linha do comboio...
A nossa saida de Cuzco foi atrasada por uma equipe de televisao Brasileira que nos encontrou à saída do Hotel e que insistiu em fazer uma reportagem e entrevista connosco. Feita a entrevista partimos em direccao a Ollantaytambo onde ainda pesquisamos a hipotese de levar as motas pela linha do comboio até "Águas Calientes", cidade na base de machu Picchu. Esta hipotese foi logo colocada de lado pelo perigo que representava e porque também logo apareceu um policia que evidentemente estava de olho em nós. A única solucao, e a mais inteligente, foi mesmo fazer todo o caminho pela estrada. E que estrada!! Subimos até aos 4300 mts de altitude onde o termómetro mostrava 2 graus positivos. Um frio de cao!! No topo da montanha apanhamos a estrada bloqueada por estarem a decorrer, uns kms mais a baixo, trabalhos de melhoramento da estrada. O guarda do bloqueo informou-nos de que o bloqueo só seria levantado dai a 2 horas... impossivel!! Parados ali na estrada congelaria-mos. Como nao nos foi dada autorizacao para passar, mesmo com os trabalhos a decorrer, decidi-mos ser rebeldes, levantar a cancela e seguir caminho. 100mts depois da cancela acabava o asfalto e comecava o pesadelo. Lama e muita lama numa estrada onde passam centenas de camioes por dia, podem imaginar o cenário. 20 ou 30 kms mais à frente novo bloqueo de estrada mas desta vez realmente intransponivel. Tinha havido um pequeno deslizamento de terras que bloqueou a passagem a qualquer veiculo, mesmo para motos. 1 hora de espera até que a maquinaria pesada limpasse a estrada. Com todos estes atrasos o dia já ia longo e a noite estava a cair. As ultimas duas horas de viagem até Santa Maria foram feitos de noite e com muito nevoeiro. Assustador! Santa Maria está já a uma altitude muito inferior e tem um clima muito humido. Comecamos o dia com gelo e acabamos o dia com bananeiras. Á chegada a Santa Maria encontrámos um grupo de 4 motas (XR 250), turistas Israelitas com motas alugadas e com um guia. Em conversa ao jantar o guia desta excursao informou-nos de que a estrada normal que nos levaria a Santa Teresa estava fechada também por um deslizamento de terras. Alternativa: ir atrás deles no dia seguinte para encontrar o caminho alternativo.










Quinta-feira, Abril 12, 2007

--- "FAST GUIDO", O COMPANHEIRO DE VIAGEM MAIS LOUCO DE TODOS!! --

Como já sabem ganhamos mais um companheiro de viagem no último dia de estadia na Bolivia. Apareceu ao acaso no nosso Hotel em Copacabana na sexta feira Santa e estamos a viajar juntos desde entao. O seu nome é Guido ou "Fast Guido" como se apresenta na qualidade de "World Overlander". É um Suíco de 41 anos, pilotando uma KTM 640 Adventure, e a sua única missao nesta fase da sua vida é dar a volta ao mundo solo. Tempo previsto: 4 anos Budget: 70.000 €. Esta é a segunda vez que nos cruzamos com ele durante a nossa viagem. A primeira foi numa manha na cidade de Mendoza, no Norte da Argentina onde trocamos algumas impressoes à porta do hostal de onde estavamos de partida. Primeira impressao: Cromo do caracas !!! (vendo a foto a baixo o que mais se podia pensar?!?!) Mas como sempre as aparencias iludem. Este é mesmo louco com um grande par de co...oes.

Dos 4 anos previstos na estrada já passaram 2 e meio. Percorreu já todo o Continente Africano, de Marrocos até à Cidade do Cabo na África do Sul, passando por 17 países e está terminando agora o Continente Sul Americano. Como podem imaginar as histórias da sua passagem por África sao mais que muitas e cada uma melhor que a outra. Tal como tento mostrar nestas fotos, o ponto alto desta primeira etapa global foi no Mali. 1.500 kms rio acima numa jangada construida por ele próprio onde a sua KTM 640 serviu como motor. Incrível, engenharia caseira que resultou!! Até um bar ele construiu a bordo. A viagem fluvial durou no total 7 semanas. A certa altura da viagem levou com ele uma cabra a bordo (daquelas com cornos e 4 patas, nao foi das outras!!) que acabou por servir de alimento por alguns dias. Ele próprio lhe cortou a cabeca e desmanjou a peca. O momento de maior aflicao nesta travessia foi a excessiva aproximacao de um grupo de hipopótamos, que podem ser muito perigosos quando se sentem ameacados. Os episódios e histórias sobre travessia de fronteiras sao também indiscretiveis... A meio desta etapa Africana teve um acidente grave, atropelou um porco a cerca de 100 kms/h que o deixou muito mal tratado. Passou depois 9 meses em recuperacao na Suica. O capacete partiu-se com a queda mas mesmo assim ainda o usa colado com fita adesiva!!! É o maior!! Quem diz que os Suicos sao chatos?!? Resumo desta experiencia Africana: eles lá sao animais! Fucked up Continent!!

América do Sul segundo ele, e comparando com África é canja. O ponto alto até agora foi a escalada do Monte Aconcágua (o mais alto do mundo fora da Ásia) a quase 7.000 metros de altura. Entre várias histórias estranhas que conta, a mais engracada foi quando no mesmo dia percorreu um trecho de estrada 2 vezes, em que na segunda vez reparou que havia um coelho morto na beira da estrada que nao estava à primeira passagem. Carne fresca para o jantar, pensou! Apanhou o animal morto da beira da estrada arranjou-o, cozinhou-o em vinho tinto e comeu-o. Diz que se arrepende de nao ter feito o mesmo com uma raposa que viu nas mesmas condicoes... É um LOUCO!

Vamos com ele e como Chris amanha tentar chegar a Machu Picchu de mota!!! Tivemos acesso a umas informacoes "extra" que nao constam no posto de informacao turistica sobre um possivel caminho para lá chegar. Todo muito incerto. Mas poupamos uma pequena fortuna em tours organizados. Vamos a ver!!

Guido, hoje a ressacar da noitada na "Plaza de Armas" no centro da cidade de Cuzco

Dia em que conhecemos o Guido pela primeira vez em Mendoza (Norte da Argentina), que peca!!!
Comprando alimento durante a subida de jangada "KTM" durante 7 semanas num rio do Mali
O Bar a bordo!! Apenas um cliente...
Que cenário!
Passador de corrente!!! A sola de uma bota velha...
Missao cumprida 1500 kms depois rio acima.
Jangada "KTM" em movimento. Sempre em primeira velocidade às 2.000 rpm.
Momentos antes da partida.

Segunda-feira, Abril 09, 2007

-- CIDADE DE PUNO E VISITA ÁS ILHAS FLUTUANTES DE LOS UROS --


















-- DOMINGO DE PÁSCOA E ENTRÁMOS NO PERU --

Guido, o nosso novo companheiro de viagem Suico que está a dar a volta ao mundo à 2 anos e meio. O mais louco que já conhecemos!!! Chris, Guido e eu.
Aduana do Peru depois de tratar da importacao temporária da mota.
Formalidades aduaneiras à saída da Bolivia... sem problemas!!

-- COPACABANA E VISITA Á "ISLA DEL SOL" NO LAGO TITIKAKA --

Saímos de La Paz na Sexta Feira Santa. Mal sabiamos nós que o nosso destino para este dia, Copacabana, é lugar de peregrinacao dos Bolivianos nesta semana de festividades. Toda a gente quer chegar a esta cidade junto ao Lago Titikaka seja de que forma for. Quem nao tem dinheiro para ir de carro ou comprar um bilhete de autocarro vai de... bicicleta!!! Eram ás dezenas!!
A caminho de Copacabana fizemos ainda em desvio de 140 kms para visitar as ruinas de Tiwanaku (civilizacao pré-Inca). Infelizmente para nós que estamos a viajar com um budget apertado, o preco de entrada estava um pouco foras do nosso alcance e assim optamos por voltar á estrada em direccao ao nosso destino. No entanto o Chris, o alemao com quem estamos a viajar de momento, fez a vista às ruinas e tirou muitas fotos, porreiro!! Fivcamos assim de nos encontrar mais tarde ao fim do dia já em Copacabana.
O resto da viagem foi muito tranquila, e chegando já próximo do Lago Titikaka a paisagem como podem imaginar era linda.
Na manha seguinte fizemos um passeio de barco até á "Isla del Sol" (berco do império Inca) que demorou o dia todo. A merda do barco tem cerca de 10 mts de comprimento, leva cerca de 30 pax e tem um motor outboard de apenas 55 cavalos... O GPS marcava uma velocidade de deslocacao de 6 kms/h!! Na realidade o tour vale a pena pelo passeio em si e pelas vistas porque as ruinas da ilha nao sao nada de especial. Pelo menos para mim!


O Chris e a sua nova amiga... uma das vantagens de viajar solteiro!





Uma turista bem descontraida... (Tito esta foi a pensar em ti!)


A Tatiana e o Chris apreciando a paisagem do lago


Isla del Sol


Passeio de barco "Isla Del Sol"



Travessia de um braco do Lago Titicaca em balsa

-- ESTRADA DA MORTE, 64 KMS DOWNHILL DE BTT, LOUCURA --

Loucura total!!! Nunca me tinha diverido tanto numa bicicleta... melhor de tudo sem dar ao pedal!
Saimos de La Paz pelas 8h00 da manha numa carinha atulhada de gente dentro e 9 bicicletas no tejadinho. Subimos durante cerca de 1 hora até chegar aos 4700 mts de altitude. Uma vez chegados ao ponto de partida recebemos o briefing da descida, o que é bastante importante porque a estrada nao é nenhuma brincadeira. Morrem cerca de 90 todos os anos naquele trecho de 60 kms. Tivemos um pouco de azar com o tempo pois estava um frio de rachar com muito nevoeiro e chuva à mistura. Supostamente os primeiros 24 kms de descida devem ser feitos em asfalto até chegar à estrada de terra, a verdadeira estrada da morte. Mas como estava tanta chuva e frio fizemos os últimos kms, até sair do asfalto, no conforto da carrinha.
A primeira coisa a fazer antes de partir para a descida alucinante é testar os travoes, just in case... Mesmo com travoes de disco a confianca nas primeiras curvas nao é muito grande. Cá vamos nós!!!
Curva após curva a velocidade da descida ia aumentando bem como o entusiasmo e a confianca. Felizmente a beleza da paisagem obrigava-nos a baixar o ritmo para conseguir disfrutar da paisagem sem correr o risco de seguir em frente numa curva mais apertada. Os guias sao bastante atenciosos e preocupados com a seguranca dos turistas. Durante todo o percurso fizemos várias paragens para comer e para aprender um pouco sobre a história desta estrada. Há duas semanas atrás morreu um turista Israelita que se entusiasmou demais e,claro, teve uma saida de pista que terminou muito mal no fundo do vale, uns 500 mts mais abaixo. À medida que os kms iam passando e a altitude descendo a temperatura, ao contrário, ia subindo. Na chegada a Coroico (a 900 mts de altitude) estavam cerca de 30 graus e muita humidade. No pacote da descida estava incluído um duche quente e uma almocarada num hotel local. Maravilha!! A parte pior é o regresso a La Paz que demora cerca de 3 horas.
Mas certamente foi um dia memorável cheio de emocoes fortes. Recomenda-se!!


Chegando a Coroico 4 horas depois a 900 mts de altitude com 30 graus de temperatura
CUIDADO COM A CURVA!!! QUAL CURVA?!?!?!




Mesmo com nevoeiro a vista é de perder a cabeca. Mas mais importante é manter os olhos na estrada...
Nao vale falhar a curva... Pode doer um bocadinho!!! Testando os travoes... só para confirmar que funcionam !

Ponto de saida do asfalto e entrada na verdadeira estrada da morte. 64 kms sempre a descer sem ter que dar ao pedal. Maravilha!!


Recebendo o briefing da descida. Pergunta mais frequente: "Quantas pessoas já morreram nesta estrada?"


O grupo radical...


Depois de 1 hora de viagem de La Paz, chegada aos 4700 mts de altitude com muito frio, chuva e nevoeiro...

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