domingo, maio 13, 2007

-- ODISSEIA FLUVIAL NO RIO AMAZONAS SAINDO DO PERU, PASSANDO PELA COLÔMBIA E ENTRANDO NO BRASIL --

Os 4 dias em estivemos em Lima foram foram suficientes para conhecer alguma coisa da cidade e também para reencontrar amigos. Reencontrei uma amiga Peruana, chamada Virgínia, que viveu em Cascais durante 18 anos e que regressou ao Perú para viver uns tempos. Na segunda noite em Lima fomos fazer uma expedição nocturna para conhecer os cantos e os hábitos do jet set. Musica boa, gente bonita, boa cerveja e boa comida... Noo que se pode pedir mais!?!No último dia, a nossa amiga Virgínia levou-nos até Lapa Lapa, 30 minutos a sul de Lima, onde os seus pais têm uma fabulosa casa show, numa praia privada a 50 mts do mar. Maravilha, e ainda deu tempo para fazer um valente churrasco e apreciar a cenário! Parecia que estava a fazer férias das férias. Fica registado hoje também o dia em que pela primeira fez comemos ¨Ceviche¨ misto de peixe e polvo. Este é um prato típico do Perú e consiste num prato de pescado cru que apenas é cozinhado num molho de limão delicioso e meio picante a que lhe chamam ¨leche de tigre¨. Muito bom! Na mesma noite em que regressámos a Lima a Tatiana reencontrou também uma amiga de Porto Alegre e o seu marido Flávio que vivem e trabalham ambos em Lima à 18 anos.

Chegou segunda feira e era dia de partida. Hora para mais uma etapa da nossa viagem. A partida de Lima deu-se pela manhã e foi rodeada de um certo sentimentalismo e saudade. Após 51 dias juntos na estrada inevitávelmente separamos-nos do nosso amigo alemão Christopher. O seu destino é para Norte até ao Equador, pela rota junto à costa e o nosso é para Nordeste até à selva em Pucalpa, atravessando pela última vez a cordinheira dos Andes que fez parte do nosso itenerário desde Ushuaia, no Sul da Argentina. E que travessia!!! Pois nesse mesmo dia percorremos uns 250 kms e saímos do nível do mar para dormir num pequeno povoado no altiplano peruano chamado Junin, a 4200 mts de altitude. Assim que parámos a mota ao final do dia na ¨Plaza de Armas¨ em Junin, os sintomas da rápida subida de altitude e da consequente falta de oxigénio não se fizeram tardar. A primeira vítima fui eu... com enormes dores de cabeça, tonturas e uma enorme falta de ar, deitei-me no passeio junto à mota enquanto a Tati procurava um Hostal com parqueamento para a ¨poderosa¨. Estava na cama pelas 6 da tarde!!A Tati parecia estar bem, até saiu do hostal para jantar. O horror começou quando voltou da rua e deitou a cabeça na almofada. Rezumidamente passou toda a noite a vomitar a seco. Coitada deve ter sofrido... parecia que estava a ser exorcisada. Não dormimos nada!

Depois desta indisposição de altitude, o dia seguinte de viagem era muito esperado e muito bem vindo, pois iríamos atravessar todo o altiplano a 3800 mts de altitude para finalmente começar a descer a cordilheira para altitudes mais toleráveis. Gráças a Deus! Em apenas 340 kms percorridos a paisagem a vegetação muda radicalmente. Entrámos na região da selva Peruana. O dia terminou numa cidade chamada Tingo Maria onde ficámos num Hotel porreiro com piscina... ahhhh que relax!

O terceiro e último dia de viagem para chegar até Pucalapa foi o pior de todos. Segundo algumas informações que tinhamos a estrada não era totalmente pavimentada e com alguns trechos em mau estado. Mau estado era pouco!!! O primeiro trecho de terra que apanhámos foi sem dúvida o pior que apanhámos em toda a viagem. Estava horrorizado e pensei como é possível uma estrada desta sequer constar no mapa como sendo asfalto.

Chegados a Pucalpa, no pico da hora de ponta, a confusão no trânsito era total. Nesta cidade 90 % dos veículos que existem na estrada são motas e mototaxis de 3 rodas. Aqui quem tem carro ou é rico ou é parvo... Para nossa surpresa passado 1 hora da nossa chegada já tinhamos a mota embarcada a bordo do navio ¨Don Segundo¨ que leva carga, pessoas e animais até Iquitos ainda no Perú. Com um atraso de 28 horas partimos para a travessia fluvial que duraria 3 dias e 3 noites. Apesar de ser uma embarcação grande os luxos não são muitos. Antes pelo contrário. O nosso camarote para dormir tinha umas baratinhas a patinhar as nossas camas... Mas tudo bem... há coisas piores! Para além de estarmos a navegar um rio já dentro da selva Amazónica, o que nos marcou nesta travessia foi a falta de respeito com que os Peruanos tratam a natureza e os animais que iam a bordo. Dentro do barco não existem caixotes do lixo. Todo o lixo que 225 pessoas produzem durante 3 dias vão borda fora, sem qualquer tipo de hesitação ou preocupação por poluir a natureza. Também nos impressionou a forma como a tripulação tratava e manejava os suínos que seguiam junto com o resto da carga. Atados com uma corda a uma das patas traseiras eram arrastados de um lado para o outro de uma forma brutal e desumana. Claro está que os animais chegaram ao seu destino exaustos e alguns com as patas partidas. Um cenário de horror em que os guinchos de dor dos animais se ouviam até durante a noite sem ninguém lhes tocar.Chegados a Iquitos tinhamos 24 horas para queimar até á partida do próximo barco para Tabatinga, já no Brasil. Visitamos um serpentário onde pegámos e tocamos em anacondas, bicho perguiça, macacos e papagaios. Super interessante e divertido. No dia seguinte partimos então para Tabatinga numa viagem um pouco mais curta de 1 dia e 2 noites, descendo já em pleno rio Amazonas. O barco era muito semelhante ao anterior mas apenas com melhores alojamentos e sem animais a sofrer para entretenimento humano. Para nossa surpresa chegámos 1 hora antes do previsto a Santa Rosa, última povoação com posto aduaneiro antes de sair do Perú. Este lugar é muito interessante e único, pois atravessando o rio e no raio de 150 metros podemos estar no Perú, Colômbia ou Brasil. Depois de tratar dos papeis em Santa Rosa para a saída da mota do Perú, atravessámos com a mota de canoa até Leticia na Colômbia!!!! Não estava nos nossos planos pisar solo Colômbiano e só aconteceu porque a margem aqui era melhor para descarregar a mota da frágil canoa. Estivemos na Colômbia cerca de 15 minutos e fizemos uns 4 a 5 kms até á fronteira com o Brasil em Tabatinga. Brasil!!! Finalmente voltamos a falar a nossa lingua... Aleluia! A sensação de entrar no Brasil foi fabulosa. Foi um pouco como chegar a casa. E a diferença é brutal. A simpatia e alegria das pessoas, ar condicionado, comida boa, etc... Pena é não ser barato como a Bolivia! A importação temporária da mota foi efectuada com alguma demora. Dá ideia que os Países mais desenvolvidos são também mais exigentes e mais burocráticos. Por sorte, mais uma vez, tinhamos barco para Manaus dentro de poucas horas. Embarcamos novamente a mota mas agora num barco brasileiro que mais parecia um pequeno paquete de luxo. Camarote com ar condicionado e comida caseira à descriçao!! Além do forró e pagode que se fazia ouvir a viagem até Manaus, onde estamos neste momento, foi tranquila com o rio e selva Amazónica como cenário de fundo. É bonito e único no mundo mas ao fim de uma semana do mesmo torna-se um pouco monótono. Ontem de noite fomos assistir à Ópera ¨Lady Macbeth¨ no famoso teatro Amazonas construido pelos Portugueses. De Manaus ainda temos mais uma viagem de barco de 4 noites em direcção a Belém do Pará na costa Atlântica, onde desagua e termina o rio Amazonas. Neste ponto teremos percorrido toda a extensão do rio desce onde nasce até onde morre. Amanhã embarcamos no navio ¨Santarém¨ e devemos chegar no Domingo.

Vista da chegada a Manaus. Por incrível que pareça perdemos o espectáculo de ver a confluência das águas dos rios Negro e Amazonas porque estavamos no porão a colocar as malas na mota!!! Fo*#$& se!!

Patriotismo e saudade de casa faz destas coisas...
Breves momentos em solo Colômbiano. Não deu tempo para sermos raptados.
Espero que isto não vire...
Travessia da ¨Poderosa¨ em balsa de Santa Rosa no Perú até Letícia na Colômbia.



Fronteira de 3 países separadas pelo Rio Amazonas. Num raio de 150 metros podemos estar na Colômbia no Peru ou no Brasil.

Para todo o Continente Sul Americano, a palavra Portugal só existe no seu vocabulário pelo futebol que temos. Cristiano Ronaldo é mais conhecido que o Che Guevara!!!

A perícia de navegação do capitão

Barco de Iquitos para Santa Rosa com técnologia de ponta
A Veneza Peruana em Iquitos.

Sorriso ¨Colgate¨!!
Macaco Aranha. Qual deles??
A bicharada!! Só estava com medo que me arrancassem uma orelha...

Anaconda de 5 metros e meio pesando ¨só¨45 quilos. Não imaginam a força que este animal tem.

Este macaquinho bébé foi o nosso preferido. Agarrou-se á Tatiana como se fosse a sua Mãe.


A Tatiana com o bicho perguiça ao colo. Reparem como o ¨penteado¨ do perguiça é parecido com o dos Indígenas Amazónicos. Incrível!!


O pessoal que atira lixo pela borda fora!!

Palavras para quê!?!?!?

Ração de combate da travessia fluvial

Curtindo a paisagem da Amazónia
Esta advertência é ilustrativa da falta de educação e civismo do povo Peruano.

Sem comentários!

¨Don Segundo¨ a embarcação que nos levou de Pucalpa para Iquitos

Controlo policial !! Com este ninguém se mete...

Acidente na estrada...
Após 51 dias juntos em viagem, momento de despedida do nosso amigo Alemão Christopher.
Vista da casa de praia em Lapa Lapa, sul de Lima. A amiga Peruana, Virginia.

5 Comments:

Blogger Mancholas said...

Um porquinho atado á mota? Mas que coisa horrivel.Tenho estado a acompanhar a vossa aventura.Realmente a paisagem é linda, mas custa-me ver o estado em que os animais estão.Quando será que o ser humano começa a respeitar os animais???

6:53 da tarde  
Blogger fx said...

Tanto tempo sem noticias, espero que esteja tudo bem com vocês e que nos contem mais aventuras em breve.
Abc e Bjs

3:01 da tarde  
Blogger Thiago said...

Oi Nuno e Tati.

COmo e' que eu falo com vcs? Procurei o email no site e nao encontrei :(...estou com uma duvida.


Meu email e' tmendesribeiro@yahoo.com

Voces podem me mandar um email nesse email?

Grande abraco,
Thiago Ribeiro Mendes

11:18 da manhã  
Blogger Paulo said...

Tenho um projeto de fazer uma viagem de moto assim como você fez. Entrei no seu blog pesquisando sobre viagens para me preparar para minhas férias em setembro. Mas não me contive em comentar que apesar de estarmos em pleno século XXI, seus comentários ainda são muito parecidos aos de seus patrícios há 510 anos atrás quando por acaso descobriram o Brasil. É compreensível que um europeu ache estranho os costumes do povo amazônico, eu mesmo, que sou do Rio de Janeiro estranho algumas coisas. No entanto, você perdeu uma grande oportunidade de mostrar mais respeito as diferenças e indícios que o povo português evoluiu e não vê o território sulamericano como uma terra de "macacos" e anacondas. Paulo Teixeira (paulinhotx@hotmail.com)

1:10 da manhã  
Blogger proudstories said...

CHE GUEVARA is a great person.
quotes by famous people

10:24 da manhã  

Enviar um comentário

<< Home


Website Counter